Lagoa do Camboim-Desde minha infância, quase nada mudou

   Nesse domingo uma reportagem no Jornal Zero Hora me fez voltar uns trinta anos, ou mais, pois falava da praia de meus avós paternos de quem infelizmente não tenho muitas recordações pela pouca convivência que tive com eles.
   A manchete dizia: "A Praia Minúscula" e realmente era isso, ou melhor, ainda é isso, pois a praia não evoluiu e nos dias de hoje podemos considerar um local paradisiaco, mas na minha infância não era bem assim.
   Já comentei algumas vezes que nasci, cresci, amadureci entre Atlântida e Capão da Canoa. Nos primeiros anos de vida na casa de minha tia em Atlântida e a praia não tinha o Glamour que teve até alguns anos atrás, mas era o local que eu gostava de estar, junto com primos, primas, tios, tias, irmãos, vô, muita areia e principalmente o mar que aproveitávamos muito, depois mudamos para Capão da Canoa onde viví os melhores momentos de minha infãncia e adolescência , primeiros beijos, primeiras "mãos bobas", namoros de verão, futebol contra os argentinos e uruguaios que quase sempre terminavam em pancadaria e a convivência em familia .
   Mas em algumas oportunidades meu pai que era "cria" de Lagoa do camboim, pegava toda a "turma", a familia no caso e rumava para a praia de seus pais e eu e minha irmã entravamos em pânico, era um inferno aquela pequena viagem entre Capão e Camboim, pois a travessia era feita por estradas improvisadas e por vezes íamos pela beira da praia(tô me sentindo minha mãe contando como eram as primeiras idas à Capão), mas inevitávelmente atolávamos no caminho devido ao estado daqueles caminhos, impossivel para uma criança gostar de uma viagem assim. Minha mãe ficava quieta e respeitava, pois sabia que ali era a praia que meu pai cresceu e ele se sentia uma criança quando ali chegava, contava histórias e dizia que ali era ele o salva-vidas e nós como crianças nunca duvidamos, até que veio a adolecência e os questionamentos. Foi numa dessas idas à praia que certa vez encontramos nosso tio que vivia em Minas e ele estava acompanhado de sua familia que até então não conhecíamos, ali conhecí meu primo com quem infelizmente tive pouca convivência pela distância, devo tê-los visto umas três vezes na vida, minha tia e minha prima ví apenas uma vez e meu tio tambem umas quatro vezes no máximo. Mas foi em Lagoa do camboim que ouví histórias de meu pai quando criança, quando adolescente e segundo meu tio confirmou, como salva vidas, junto com ele da praia de Lagoa do camboim por terem sido durante toda a vida eximios nadadores.
   Depois que deixei de frequentar Capão da canoa, lagoa do Camboim ficou muito mais distante de mim, mas no domingo voltei ao passado e lembrei a felicidade que meu pai ficava ao chegar em sua praia, e a reportagem ainda falava que a "operação golfinho" havia retirado a última guarita por não haver necessidade, só que agora o "Salva-Vidas" de Lagoa do Camboim não vai mais estar lá, nem ele nem seu irmão e muito menos minha vó. Confesso que deu saudades daquela praia que detestava por um simples motivo, era a praia de meu pai e uma curiosidade, a lagoa, eu nunca conhecí.  

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