Doeu Muito

   

      Em "épocas" de verão, muitas vezes vem aquela saudade de um tempo que não volta mais, uma infância belissima, onde pude viver com meus pais e meus irmãos num local que para mim sempre foi considerado um " paraiso" . Na adolescência esse " apego" aumentou bastante, pois foi ali que aconteceu o primeiro beijo, as primeiras caricias mais intimas, as primeiras paixões correspondias e principalmente as mal correspondidas, que com o tempo percebi que eram realmente passageiras, mas que me marcaram como marcam qualquer adolescente romântico.
   Um dia meu pai chegou feliz e radiante em casa e anunciou que havia vendido o velho e pequeno apartamento de Capão, não dando nem a chance de um último adeus, e naquele momento essa noticia doeu mais do que a morte de qualquer ente querido, o que aliás ainda não havia acontecido comigo. Com o tempo acabei realmente perdendo entes queridos e aí me dei conta da bobagem que eu dizia quando fazia a tal comparação. foi então que percebi que o material não tem qualquer importãncia em nossas vidas, mas confesso que nos meses de dezembro, janeiro e principalmente fevereiro, vem aquela pontinha de inveja, pois um dia aquele lugar foi só meu, e aí percebo que doeu muito aquela perda, ainda mais quando foi sem uma despedida, a sensação é aquela de ter acabado um romance com alguem que nunca mais ví e isso as vezes dói sim , e muito.

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