70 Anos de John Lennon

Liverpool, onde tudo começou, celebra os 70 anos do mito John Lennon


Carmen de Águeda.



Londres, 9 out (EFE).- Nada mais justo que Liverpool preparar uma série de homenagens especiais a John Lennon no dia em que os fãs celebram os 70 anos de nascimento do ídolo.



Um show beneficente, conversas com aqueles que conheceram o músico e uma festa de aniversário no emblemático Cavern Club são algumas das atividades que a cidade natal do ex-beatle pretende para celebrar a data.



Em 9 de outubro de 1940, Liverpool via nascer uma das mais notáveis e rebeldes personalidades locais, John Winston Lennon - o nome do meio em homenagem ao estadista Winston Churchill.



Locomotiva dos Beatles, Lennon levou sua genialidade poética e política a revolucionar a cena musical dos anos 1960 e 1970, apoiando-se em composições como "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love". E ídolo daria lugar ao mito quando, em 8 de dezembro de 1980, levou cinco tiros do fã Mark David Chapman ao chegar em casa, em Nova York.



As homenagens se sucedem pelo mundo em 2010. Neste ano redondo, quando são lembrados os 70 anos de Lennon, três décadas de sua morte, meio século da formação dos Beatles e 40 anos do fim da banda, Liverpool anda agitada e busca mostrar o que só essa cidade conhece: as origens de um dos mais brilhantes músicos do século XX.



As celebrações começam neste sábado no Cavern Club, com uma festa de aniversário para a qual os ingressos já esgotaram.



Nesse bar, entre 1961 e 1963, os Beatles fizeram cerca de 300 shows nos quais começaram a dar fama a canções como "She Loves You". Foi lá onde conheceram Brian Epstein, o cérebro empresarial da banda.



Um mês antes de viajar aos Estados Unidos pela primeira vez, em agosto de 1963, os Beatles se apresentaram pela última vez no lendário pub com a promessa de retornar algum dia.



A fama os impediu de voltar a esse palco, mas a escultura de um jovem Lennon na entrada do clube lembra que os Beatles nunca chegaram a abandonar totalmente Liverpool.



Antes de se tornar um beatle, Lennon iniciou seus estudos de belas artes em 1957, na escola de arte e desenho da cidade, a atual Universidade John Moores, que nas próximas semanas receberá uma série de exposições com obras do artista.



Lá será enterrada uma das três cápsulas do tempo com gravações do músico, desenhos e algumas lembranças, destinadas a preservar o legado do ex-beatle para as próximas gerações ou, pelo menos, até sua abertura, prevista para 2040, no centenário do músico.



As celebrações do aniversário de Lennon contarão também com a presença de Cynthia Powell, primeira esposa do cantor, e de Julian, filho de ambos. Os dois vão inaugurar o monumento Peace & Harmony, uma escultura do artista Lyle London.



Julian e Cynthia, da qual Lennon se separou em 1968 após iniciar seu romance com Yoko Ono, organizaram a exposição "White Feather: The Spirit of John Lennon", com objetos que, segundo o próprio Julian, "repassam a íntima e emotiva história da família".



Os lugares que marcaram a infância e adolescência de Lennon, como o colégio onde estudou e a casa onde foi criado pela tia Mary "Mimi" Smith, que tomou conta do garoto John quando ele tinha cinco anos, poderão ser visitados nos próximos dois meses.



Conferências de familiares e amigos do ex-beatle, um festival de cinema e um sarau de poesia completam o programa de atividades em homenagem a Lennon, que serão encerradas com um grande show.



Ainda não se confirmou quais artistas participarão do tributo musical que acontecerá no Echo Arena de Liverpool, onde são esperadas mais de 11 mil pessoas, mas os organizadores já estimam que "Lennon Remembered" será "uma noite emotiva e inesquecível" para os fãs do músico.



O show ocorrerá no dia 9 de dezembro, data em que se completam 30 anos e um dia do fatídico tiroteio que acabou com a vida de Lennon quando o artista voltara para seu apartamento, no edifício Dakota, em frente ao Central Park em Nova York após conceder entrevista para uma emissora local.



O assassinato ocorreu semanas depois da publicação do disco "Double Fantasy", que significou seu retorno ao panorama musical após um intervalo de cinco anos para criar seu segundo filho, Sean Ono Lennon.



No dia em que morreu, Lennon em Yoko Ono tinham protagonizado uma sessão de fotos a cargo da fotógrafa Annie Leibovitz, quem os retratou em uma cama, com Lennon nu, em posição fetal e abraçado a Yoko. Em 22 de janeiro, a instantânea foi capa da revista "Rolling Stone" e se transformou no símbolo do fim de uma era e do começo de um mito.

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